UFU se prepara para mais uma disputa no maior torneio universitário de Minas
- 31 de mar.
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A competição acontece entre os dias 31 de março e 5 de abril, em Itajubá (MG)
Por Ester Moraes e Tainá Brasil

Os Jogos Universitários Mineiros (JUMs) reúnem, anualmente, atletas de diversas instituições de ensino superior do estado. Organizado pela Federação Universitária Mineira de Esportes (Fume), o torneio inclui modalidades coletivas e individuais e também funciona como porta de entrada para os Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), já que os campeões garantem vaga na etapa nacional.
A preparação para os jogos envolvem meses de treinos. Na UFU, as equipes vêm de um histórico recente de bons resultados, incluindo presenças de destaque em diferentes modalidades e participação frequente nas competições nacionais.
A responsável pela logística por trás da ida dos atletas é a Divisão de Lazer e Esporte Universitário (Diesu), que oferece suporte por meio do pagamento de taxas de inscrição, solicitação dos transportes e seguro atleta, além da organização dos materiais esportivos.
O técnico desportivo Luiz Vilarinho declara, porém, que em relação às edições anteriores houve uma diminuição do número de estudantes contemplados pelos editais de auxílio, devido aos cortes de verbas nos últimos dois anos. De 2024 para 2025, o orçamento destinado à Divisão caiu de aproximadamente 4 milhões para 500 mil. “Nesses dois últimos anos, contemplamos os atletas que estão em vulnerabilidade social. Não conseguimos para todos os alunos, mas pagamos o seguro atleta e o alojamento para os que participaram do edital. Antes nós conseguíamos contemplar todos os participantes e essa é uma meta para os próximos anos”, explica.
A delegação da UFU conta com cerca de 150 atletas, 20 a mais em relação ao ano passado, e Luiz acredita que eles irão melhorar os resultados da última edição. “Em relação às medalhas, em 2025 nós ficamos em segundo no quadro geral e agora temos a possibilidade de sermos os primeiros novamente. O nosso maior intuito é participar efetivamente com os atletas e dar suporte para eles”, completa.
Revezando medalhas
A história da natação da UFU nos JUMs é marcada por trajetórias de dedicação e êxito. Uma delas é a da atleta Beatriz Alves de Lima, que iniciou sua caminhada em 2022, ao se mudar para Uberlândia e precisar reconstruir sua rotina de treinos. No início, Bia conciliava treinos individuais com a participação em equipes universitárias, onde encontrou acolhimento e estrutura para evoluir. Em 2023, atingiu o auge de sua performance no JUMs, conquistando múltiplas medalhas, incluindo ouro nos 400 metros livre, 200 medley e no revezamento 4x200 livre, resultados que colocaram o time entre as melhores do estado, garantindo vaga no cenário nacional.
Hoje, como treinadora, ela lidera uma equipe que chega para a edição de 2026 com um perfil de veteranos. A maioria dos atletas já teve passagem pelo alto rendimento, muitos com histórico no Praia Clube, e pararam recentemente, entre 2023 e 2024. “O perfil da equipe deste ano é de atletas mais experientes. Isso faz diferença, porque eles ainda estão próximos do ritmo de competição”, explica. Apesar disso, o grupo também abre espaço para renovação, com a presença de atletas mais novos.
A equipe de natação chega este ano embalada por resultados expressivos nas últimas edições do JUMs. Em 2025, a equipe feminina foi um dos grandes destaques da delegação, somando 10 medalhas de ouro, três de prata e uma de bronze, com domínio em provas de diferentes distâncias e estilos.
Por questões logísticas, como transporte e distância, a equipe será reduzida. “Nós vamos com seis atletas no feminino e seis no masculino. Se fosse com o número máximo, nós teríamos mais tranquilidade para brigar pelo título porque vamos disputar praticamente todas as provas possíveis.”
Dentro do calendário esportivo, o JUMs é tratado como prioridade, já que funciona como etapa classificatória para o JUBs. Apesar da importância, a treinadora aponta um desequilíbrio no nível nacional. “O JUBs acaba sendo desleal com o atleta universitário de fato, porque tem atletas olímpicos competindo. Mesmo assim, vamos em busca de medalhas, principalmente no revezamento 4x100 medley feminino.”
No âmbito estadual, as críticas se concentram na estrutura da competição. Segundo ela, as condições oferecidas colocam em risco o desempenho e a segurança dos atletas. “O local não oferece boas condições. A piscina é rasa, o bloco não é adequado, e isso preocupa muito em relação a lesões”, afirma. A equipe chegou a buscar diálogo com a Fume, mas não houve respostas. “A gente vê como uma competição séria, mas nem sempre ela é tratada assim. O ideal seria que estivesse à altura do Brasileiro”, diz.
Os problemas, segundo a treinadora, não são recentes. Ela relembra a edição de 2024, em Monte Carmelo, como um exemplo de improviso e desorganização. “O bloco foi colocado no dia e a piscina não tinha bandeiras de orientação. Nós mesmo tivemos que providenciar isso. Os árbitros estavam perdidos, havia menores atuando na arbitragem e os tempos estavam sendo marcados por celular”, relata. Diante desse cenário, a orientação da comissão técnica é de atenção redobrada durante as provas, especialmente em saídas e viradas, para evitar acidentes. A equipe do Arquibancada UFU entrou em contato com a Fume, mas também não obteve retorno.
A preparação para a competição foi desafiadora. Com início apenas em fevereiro, o tempo reduzido exigiu uma adaptação no planejamento. “Nós tivemos uma periodização muito curta. Então, no começo, a prioridade foi trabalhar resistência, para recuperar a condição física de quem estava parado. Agora estamos priorizando velocidade, ritmo de prova e viradas, que são detalhes decisivos”, explica.
A experiência prévia de Bia como atleta também influencia diretamente nas escolhas como técnica. “Eu sei o batidão que é a competição, a sensação física de nadar provas pesadas. Tem atleta que vai nadar 1.500 metros, então precisamos trabalhar um ritmo que permita sustentar velocidade por mais tempo”, explica. A estratégia, segundo ela, equilibra tanto essas provas mais longas quanto as mais tradicionais, como 200 e 400 metros.
As expectativas da equipe são altas, com foco no título geral e no domínio das provas de revezamento. “As minhas expectativas são as melhores. Eu espero que a UFU seja campeã tanto no feminino quanto no masculino. Gostaria muito também que ganhássemos todos os revezamentos”, afirma a treinadora. Além dos resultados imediatos, o principal objetivo está na classificação para o JUBs.

Rumo à reconquista
No basquete masculino, a equipe da UFU chega com um histórico de notoriedade no JUMs, sendo hexacampeã da competição. Apesar do passado vitorioso, nos últimos anos a equipe enfrentou desafios que dificultaram a manutenção do título, com dois terceiros lugares e um vice-campeonato em 2024, quando ficou muito próxima do ouro ao perder a final por apenas quatro pontos.
A trajetória de Pascoal Neto no basquete reflete o crescimento do esporte universitário dentro da instituição. Estudante de Engenharia Biomédica, ele iniciou sua participação nas equipes em 2022, após a retomada das atividades presenciais no pós-pandemia, quando passou pela seletiva da Engenharia e já começou a integrar o time.
“Minha trajetória foi facilitada porque o treinador da engenharia também é o treinador da UFU, então consegui manter os treinos e evoluir nas duas equipes”, explica. Desde então, o atleta passou a acumular conquistas internas, com títulos na Copa Inter Atléticas (CIA) e na Olimpíada UFU, além de integrar a equipe principal da universidade.
Após o vice-campeonato, a equipe chegou confiante para o JUMs na edição seguinte. No entanto, o resultado ficou abaixo do esperado, com eliminação ainda na semifinal. A campanha foi marcada por fatores que impactaram diretamente o desempenho do grupo, como a ausência de Pascoal, que tem a função de armador no time e sofreu uma lesão durante a competição. O resultado frustrou as expectativas de um grupo que estava preparado para lutar novamente pelo primeiro lugar.
“Eu me machuquei durante a competição e não consegui jogar a semifinal, o que foi muito frustrante. Além disso, tivemos uma baixa no time, com a ausência do Pedro Augusto, que vinha sendo destaque na Olimpíada. Mesmo assim acredito que temos condições de chegar longe novamente”, disse o atleta.
Para 2026, o cenário é diferente. Com um elenco mais maduro e focado na preparação, os atletas intensificaram a rotina de treinos, conciliando atividades coletivas com treinos individuais, como academia e corrida. Mesmo com limitações estruturais, como a falta de acesso à musculação dentro da universidade, a equipe aposta no comprometimento do grupo para chegar mais forte à competição.
Além disso, a preparação deste ano foi favorecida pela volta dos treinos nas quadras do Campus Educação Física, após um período anterior marcado por adaptações e reformas. “Ano passado tivemos dificuldades por causa da reforma no G6. Tivemos que treinar em outros espaços, como no SESI, que tinha uma quadra diferente, com condições piores, e às vezes até em quadra externa, o que acabou afetando a preparação”, relata Pascoal.
Agora, em um ambiente mais estável, a expectativa é transformar a experiência em resultado dentro de quadra. Segundo o atleta, a principal incerteza está no nível dos adversários estaduais. “É sempre um mistério, porque não sabemos quais equipes vão participar. Diferente de outras competições, não tem uma base fixa. Mesmo assim, confiamos no nosso grupo e no que estamos construindo para brigar pelo título”, conclui.

Novas peças
No handebol a história se repete. A delegação da UFU chega ao JUMs como hexacampeã universitária, combinando ambos os naipes. Na última edição, os resultados reforçaram o histórico de qualidade técnica do time: vice-campeonato no feminino e medalha de bronze no masculino.
A estreia de Lavínia Oliveira no JUMs representa mais um capítulo dessa história. A estudante de Ciências da Computação foi selecionada aos 11 anos para a equipe de vôlei do Praia Clube, mas acabou não seguindo na modalidade e foi no handebol que encontrou seu caminho. Lavínia permaneceu por três anos em formação até ser novamente selecionada, em meados de 2020, para integrar o time competitivo do Praia, até ter sua trajetória momentaneamente interrompida pela pandemia.
Nos anos seguintes, a atleta manteve o vínculo com o esporte por meio de competições escolares, como os Jogos Escolares de Minas Gerais (JEMG), até chegar à UFU. Em 2025, passou a integrar a equipe da Computação – antes da junção com a Exatas – disputando competições como a Copa Inter Atléticas (CIA) e a Olimpíada UFU, até conquistar uma vaga no time principal da Universidade em outubro. Desde então, divide sua atuação entre a equipe da Compex e o elenco universitário.
“Estou muito animada para os JUMs. Eu sou apaixonada por esportes desde sempre, e poder representar a UFU, que foi um lugar que sonhei em entrar, é um prazer enorme”, revela a atleta.
A preparação da equipe feminina para a competição começou ainda no ano passado, com uma rotina intensa de treinos. Desde outubro, o grupo mantém uma frequência de três treinos de quadra e dois físicos por semana, além de um trabalho focado na ampliação do elenco, buscando fortalecer a base do time.
Para a estudante, a presença de atletas que já disputaram o JUMs é um diferencial importante e acrescenta que, com a chegada de novas jogadoras, a expectativa é de evolução coletiva, por uma campanha ainda mais forte. “Acredito que com novas peças consigamos atingir o ouro esse ano”, completa.
Além da disputa em quadra, Lavínia também ressalta o papel do esporte dentro da universidade. “Os esportes são fundamentais para o ambiente universitário, e trazer isso em âmbito federal, entre diferentes universidades, é maravilhoso. Além de mostrar os esportes para além das competições entre atléticas, os JUMs cumprem muito esse papel”, finaliza.

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