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Amor pela camisa e pé na estrada

  • 3 de jun.
  • 4 min de leitura

Atléticas viajam centenas de quilômetros para a disputa da CIA


Por Calebe Dias


Novo formato esportivo conta com duas divisões e oito conferências | Foto: EXP Produções
Novo formato esportivo conta com duas divisões e oito conferências | Foto: EXP Produções

A Copa Inter Atléticas dá o pontapé inicial no dia 4 de junho em Uberaba, mas para muitas atléticas ela já começou há alguns meses. O planejamento logístico é um dos principais pontos para uma atlética participar da CIA, já que organizar uma viagem, que na maioria dos casos é longa, nunca é uma tarefa fácil. Transporte, alojamentos, inscrições e alimentação, são algumas preocupações das gestões espalhadas por todo o país, afinal, a disputa do campeonato vai muito além das quadras, campos e piscinas.


Ano após ano, a CIA vem quebrando recordes na participação de atléticas. E este ano, na sua décima primeira edição, não será diferente. A competição contará com mais de 150 associações de todas as regiões do país, o que transforma a Copa Inter Atléticas na maior competição esportiva universitária de todo o Brasil.


Mas para que isso aconteça é necessário um grande planejamento dos participantes do campeonato. Não só de festas e jogos a engrenagem roda, mas com hospedagem, alimentação, transporte e outros fatores que movem a cidade de Uberaba. O festival já é figurinha carimbada no calendário da cidade mineira, que mergulha nesse mundo ao longo dos dias de evento. De acordo com reportagem da Revista Poder o faturamento do setor de comércio sobe em até 80% e estima-se que em 2025 o festival movimentou mais de R$40 milhões na economia local, além de cerca de 15 mil empregos diretos e indiretos na cidade.


Planejamento antecipado


Para participar da CIA no âmbito esportivo, uma atlética precisa de muito mais que apenas um time ou atletas que estejam dispostos a competir. Vale lembrar que os atletas têm uma vida fora das quadras e, como estudantes universitários, não é fácil se deslocar para outra cidade por quatro dias. A agenda de compromissos acadêmicos, profissionais, e, principalmente, a questão financeira interferem na participação de atletas. Mesmo que um estudante abra mão de estar nas mais de 50 horas de festas e quatro dias de grandes atrações musicais e culturais oferecidas pela organização, ainda assim, existem custos.


Mas apesar das dificuldades, milhares de pessoas marcam presença na competição. Uma das atléticas presentes é a XV de Setembro, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que reúne estudantes dos cursos de Administração, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas e Secretariado Executivo. Os universitários atravessam o estado do Paraná e São Paulo até chegarem ao Triângulo Mineiro, percorrendo mais de 600 quilômetros em uma viagem que pode durar até oito horas. Nas palavras de João Ferrer, diretor comercial da atlética, “é muito mais que só competir. A gente vai pela XV, pela camisa e pela sensação de representar Londrina fora de casa.”.


Gestões e diretores têm a difícil missão de organizar toda a logística presente ao longo dos dias de evento, incluindo transporte, alojamentos e inscrições de atletas, enquanto esses, têm que se planejar financeiramente e conciliar a rotina de estudos, trabalho e treinamento. “As maiores dificuldades são dinheiro e tempo. Nem todo mundo consegue pagar a viagem, e muitos têm prova, estágio ou trabalho. Isso acaba limitando bastante a participação, mesmo com vontade de ir.” afirmou João.


A questão financeira e logística afeta as atléticas de todo o país, independente do tamanho da delegação presente na competição. Dentro do estado de Minas Gerais, mas a 500 quilômetros de distância de Uberaba, o Conclave Médico Desportivo do curso de medicina da Universidade Federal de Belo Horizonte (UFMG), também tem que se desdobrar para participar da CIA. Henrique Sant’Anna, estudante de medicina e coordenador geral da atlética, compartilhou os mesmo problemas vividos em Londrina. “A principal dificuldade dos atletas costuma ser financeira, já que eles e o próprio Conclave não recebem nenhum apoio institucional com esses gastos. Soma-se a isso às atividades acadêmicas, especialmente no internato, em que há atividades inclusive em fins de semana e feriados. Isso exige um extenso preparo que muitas vezes acabam entrando em conflito com a prática esportiva, que não envolve apenas os dias de competição, mas sim todo um ciclo de preparação, compromisso e dedicação diária.”


Campeão em 2024 e segundo colocado em 2025, o Conclave UFMG, vem ano após ano se consolidando no topo da 1ª Divisão. Com uma delegação de mais de 500 pessoas, e cerca de 200 atletas, o planejamento inicia meses antes do evento. “Cerca de quatro meses antes das competições, reservamos ônibus, hotéis e alojamentos, mapeando as necessidades dos atletas e tentando ajustar os detalhes para que todos consigam participar.”. 


Esforço que vale a pena


Todo o processo é longo e demanda tempo e esforço de todos os envolvidos, mas é necessário para que tudo possa ocorrer da melhor maneira possível. As centenas de quilômetros percorridos fazem parte de uma vivência única na vida dos milhares de estudantes que marcam presença na CIA.


Para Ferrer, essa oportunidade única desperta um sentimento que alimenta o sonho e dá combustível para colocar o pé na estrada. Mesmo que isso interfira no desempenho esportivo, o esforço vale a pena. “O cansaço da viagem, sono desregulado e a alimentação diferente podem afetar o nosso rendimento. Mesmo assim, quando chega na competição, a motivação e o clima da atlética ajudam a equilibrar bastante isso. A união do time, a convivência na viagem aumenta aquela vontade de chegar em Uberaba e mostrar nosso nível na CIA.” completou. O mesmo sentimento percorre as pistas até Belo Horizonte. “A principal motivação é representar a Medicina da UFMG e mostrar que sua grandeza vai além das atividades acadêmicas.”.


Histórias como a da Atlética XV de Setembro e do Conclave Médico da UFMG são comuns nos corredores e praças esportivas da CIA, o que mostra até onde pode ir o amor pela camisa e a identificação por uma atlética. As histórias percorrem as estradas do país, e o objetivo é o mesmo, representar a camisa e viver um sentimento inesquecível.



 
 
 

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